Outubro Rosa: acompanhe dados atuais e os impactos da pandemia

23/10/2020

Este mês é marcado pelo Outubro Rosa. A campanha visa alertar a população para a prevenção do câncer de mama. Motivos há de sobra. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (Inca), até o fim deste ano, no Brasil, serão 66.280 casos da doença, sendo 99% deles em mulheres.

Há vários tipos de câncer de mama. A doença também pode se manifestar em homens, o que representa 1% dos casos. Ainda, de acordo com o Inca, estima-se que o número de mortes pela doença seja 17.763, sendo 17.572 mulheres e 189 homens, em 2020.

Entre as ações de prevenção, destacam-se: prática de atividades físicas; alimentação saudável; manutenção de peso corporal adequado; evitar consumo de bebidas alcoólicas; amamentar; e evitar uso de reposição hormonal após os 60 anos de idade. Para o Inca, só a adoção destes hábitos pode evitar cerca de 30% dos casos.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Rio de Janeiro (SBM-Rio), Rafael Henrique Szymanski Machado, a mulher deve conhecer sua mama e, em qualquer sinal de mudança, procurar um mastologista.

“Não somente em casos de nódulos aparentes, mas também alteração de coloração. É recomendado que, além da consulta com o mastologista, as mulheres a partir dos 40 anos façam exame de mamografia anualmente e adotem um estilo de vida saudável. Sabemos que, quanto antes começar o tratamento, são maiores as chances de cura. Um tratamento iniciado em estágio um pouco mais avançado também há sucesso, devido aos avanços de tratamento da doença”, disse.

Câncer de mama durante a pandemia
Ainda segundo o presidente da SBM-Rio, no que diz respeito à situação do tratamento do câncer de mama neste período de pandemia, o Rio de Janeiro teve uma redução de cerca de 20% das cirurgias nos serviços públicos. “E a mamografia de rastreamento – que é a de rotina – praticamente desapareceu. Como consequência dessa situação, teremos, infelizmente, o diagnóstico de lesões mais avançadas e o represamento do atendimento”, completou.

Ele também destacou que, na Europa, um estudo feito na região aponta que, em 12 semanas de pandemia, o impacto do represamento da assistência foi tão grande que sejam necessárias 45 semanas para compensar o período em questão, em que praticamente não houve atendimento.

“E no Brasil não deve ser muito diferente. Teremos algo semelhante a 45 semanas para repor as 12 em que o atendimento foi diminuído, além de uma estimativa de pelo menos mais 20% de demanda reprimida no período. Não vai ser fácil, mas nosso objetivo é tentar resolver”, acrescentou.

A campanha
O movimento nasceu nos Estados Unidos e a escolha de outubro aconteceu após o Congresso Americano torná-lo o mês nacional de prevenção do câncer de mama no país, já que a data era utilizada por vários estados em campanhas isoladas contra a doença. Já o uso do laço cor-de-rosa, que simboliza a iniciativa, foi lançado pela fundação Susan G. Komen for the Cure e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York, em 1990.

Este ano a campanha do Ministério da Saúde, lançada em 7 de outubro, tem o slogan “Cuidado com as mamas, carinho com seu corpo”, a fim de chamar a atenção das mulheres para importância da prevenção, do diagnóstico precoce, da realização do autoexame e da busca por atendimento médico, se surgir um possível sintoma.

O CREMERJ promoveu, em 10 de outubro, o webinar “Câncer de mama: onde estamos?”, em parceria com a Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação.

“Apoiamos esta iniciativa. Há ainda muitos desafios, mas essa campanha reforça a importância do autoexame e dos cuidados com a saúde. Não podemos permitir que a pandemia diminua a importância deste movimento”, frisou o presidente do Conselho, Walter Palis.